21 maio, 2012

"Today is NOT a good day"


21 de maio, 2012.
Fez 1 ano que você se foi.
Quantas coisas aconteceram... se desse pra eu contar, seriam dias sem pausa. Algumas notícias você acharia engraçadas, outras um pouco tristes. Talvez algumas delas você não concordaria... enfim.
Lembro de cada detalhe do dia 21 de maio de 2011. Cada parte, vírgula daquelas horas.
Houve apenas um momento onde me senti completamente só no mundo e foi um desespero absurdo, nada e nem ninguém poderia estar ali comigo, você se foi. Era real, real demais, duro demais.
Por um longo tempo desejei não acordar por muitos meses, até parece que fui enterrada junto.
Os problemas se acumulavam, as saídas se fechando. Sensação de claustrofobia.
Posso dizer que o que difere a gente de criança pra adulto é não ter mais mãe. 

Por que quando a coisa aperta, quando você cai doente, quando a vida te exige e não te dá tempo pra pensar direito, tudo o que você quer é deitar no sofá e gritar: MANHÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!
Se eu gritar, nada vai acontecer. Então tenho que levantar, por a cara lá fora e lutar. Lutar com forças que muitas vezes não tenho. Fazer de conta de que não tenho dúvidas e que a certeza inabalável sempre vai reinar. 

Ah mãe, eu tenho tantas dúvidas e medos...
Queria tanto receber um afago seu, um cuidado. Dói tanto ter que caminhar sem auxilio...
Queria poder dizer te olhando nos olhos que tenho medo de ser feliz com a pessoa que amo, que não tenho certeza de quase nada nessa vida estranha. Queria te perguntar quando e como você "sacou" que era a hora. E principalmente, se você foi feliz.
O que posso te dizer é que 1 ano tive perdas preciosas e ganhos também. Reaproximei da família, finalmente conversei com o pai e hoje temos uma relação muito boa. Que a cada vez que vou na casa do vô e da vó, me seguro pra não chorar quando me despeço deles por medo de algum dos 2 irem embora, pela dor que ainda sentem por conta da sua partida. Que a tia se aproximou ainda mais de mim. Que por mais que eu bufe pelas coisas que não acontecem no tempo que eu acho que devem acontecer, elas simplesmente: acontecem. No tempo que tem que ser. Minha vida deu tantas voltas que tenho dificuldade de saber qual é a minha idade. 
A casa está do mesmo jeito, só que mais suja, com menos vida, mais silêncio... 
Se antes eu não conseguia lembrar de você com cabelo, hoje quase não consigo lembrar de você careca no hospital. Só me lembro de você com o cabelo grande, de anos atrás, não tão liso. Mas toda vez que olho a foto e lembro, choro. abraço seu retrato e choro de forma silenciosa. As vezes as temporas doem, como agora. Mas em outras não. As vezes te dou tchau, bom dia, boa noite. 
Sei que você vai viver enquanto estiver nas minhas lembranças, as vezes não gostaria de lembrar... mas lembro. Enfim, nesse 1 ano que passou, muita coisa mudou mãe, não tenho mais seus passos por aqui, aprendi a dar os meus. Mesmo você tendo ido pra algum lugar distante, as mudanças foram positivas e posso te dizer com serenidade que afetou não só a minha vida, mas de pessoas que nem eu, e nem você poderíamos imaginar.
Mãe, sinto sua falta e acho que isso só vai aumentar... assim como o tempo com o passar dos anos.
Queria te ver.


um beijo, te amo muito.

19 maio, 2012

Então sai pra lá.



Eu me arrumo, eu me enfeito
Eu me ajeito, eu interrogo meu espelho
Espelho em que eu me olho
Pra você me ver

Por que você não olha cara a cara?
Fica nesse passa ou não passa
O que falta é coragem
Foi atrás de mim na Guanabara
Eu te procurando pela Lapa
Nós perdemos a viagem
Quando você me vê
Eu vejo acender outra vez aquela chama
Então pra que se esconder?

Vou por entre os cabos, centelhas de mensagens é o que sou.

17 maio, 2012

Escalas de.

- Abri os olhos.
Toda aquela baboseira diária a ser feita, pior que missa com suas carolas ao pé do altar.
Não tomo café, coisa ruim... tá que é brasileiríssimo, sou do contra. Nem água de manhã.
Que bosta, já tá saindo fora de linha o que pretendo escrever.
Vamos começar assim;
Amanhaceu,  ok. Só que está cinza lá fora, não aquele cinza escuro, de chuva. é o cinza de frio, do outono terminando seu desfile e abrindo alas para o inverno que logo chegará. Pra dizer que embora eu, habitante de "um país tropical e abençoado por Deus" vibro com esse tom. Mesmo que há 3 dias tenho apanhado de taco de baseball e febre beirando os 39,5°C. Mais radiante do que em dia sem nuvens... não desconsidero o céu azul, gosto dele sim. Mas, desculpe blue sky, o cinzinha me pega.
É o dia que você acorda e tem vontade de se arrumar pra uma festa de gala. Parece que tudo fica com um charme a mais. Até andar pelas ruas, só pra sentir o vento frio batendo pelo corpo. Mesmo que isso me custe parecer portadora de tuberculose. São nos dias frios que várias pessoas sentem a solidão se aconchegar no sofá. Me pergunto por muitas vezes se ela, solidão, é tão irritante assim? É nela que a gente pode se ver, sentir, experimentar cada parte nossa. Não é um exercício fácil, muitas vezes dói, tomar consciência, fazer escolhas e sermos responsáveis por elas é algo que sempre dá muito medo. A cada dia você se desfragmenta um pouco ali, dá adeus pra outra parte acolá... litros e litros de choro adicionados na conta.
Maaaas, voltando para o bendito e bem vindo: frio.
Clima propício para, chá, sopas [eca, sai pra lá que não tô velha], passeios, doces, filmes, casacos, sorrisos, mãos geladas, corações quentes. EPA! eu disse: corações quentes?
Alguém, rápido! pegue um rojão e acenda! por que notícia assim é pra ser comemorada [conheço alguém que vai fazer isso de fato]. Comemorar mesmo, é quando se tem o desejo de se arrumar, perfumar toda pra si mesma. Nesses dias ou noites, pode ser de calça jeans ou de cinta liga, nem gisele, megan ou angelina seriam páreo. Costumo passar longos períodos sozinha, preciso deles. Minhas reconstruções levam o tempo que for preciso.
Danço pela casa, durmo no sofá, babo no travesseiro, passo meses sem tocar numa panela. Assino minha própria carta de alforria, liberto-me. Houveram príncipes e princesas, morreram. Vivem diariamente em nossos corações, utopia. E é por merecimento, não por direito, herdado de berço. A simplicidade é um dos bens mais sofisticados e caros para a humanidade. Cada piscar de olhos a mais [a menos a ser dada nesta vida] me convenço de que o importante, na realidade é aquilo que não está disponível num mercado, na vitrine, na internet.
Se eu morresse no próximo instante, antes desse meu presente pensamento, partiria mais feliz do que triste. Não pelas coisas que foram realizadas, mas pelos elos feitos. A gente imagina e quando vem um perigo real, a morte, o medo de tudo acabar e a gente não ter feito tudo aquilo que queria [e não vamos fazer tudo mesmo...] de quando tudo ficar escuro [fica mesmo?] acho que saberia o que me importa, por quem eu chamaria, do que me arrependi, dos segredos que serão apenas meus. Falta, incompleto, inconstante. O equilíbrio perfeito do corpo é a morte. Estranho? procure saber o que é homeostase. Por que pessoas aparentemente bem sucedidas estão caindo enfermas aos 35, 40, 45 anos? Falta da falta, "se pah".
E o que que tem haver isso tudo com o frio? sei lá.
A velocidade que as coisas vão passando na minha cabeça é insana, botaram óxido nítrico. Até pra fazer prova na faculdade tá ficando complicado. 
O frio faz com que andemos mais devagar, de passos e de mente também. Um olhar mais demorado sobre as pessoas, as coisas, em slow motion sabe? E vejo meus poucos amigos, mas preciosos. Todos com marcas, feridas das batalhas diárias, todos nós fodidos até por que mesmo trabalhando, ainda não estamos livres do orçamento curto, dos sonhos e ideais gigantes, da diversão barata, das rodinhas universitárias, gargalhadas, choros convulsivos. Não há nada material que eu gostaria de levar [ainda bem], minhas lembranças pesam demais. 
O frio? ah, esse safado... mesmo fazendo eu desfilar pior do que a bruxa do 71, com óculos escuro na cara, arranca sorrisos sinceros e ternos mesmo que meu pulmão doa e algumas pessoas possam achar que sou psicopata por estar assoviando melodicamente e melosamente;

"Here he comes.."

14 maio, 2012

Decepção não mata, ensina a viver não é?
De fato.
Embora seja um aprendizado amargo, é valioso... lá se foram preocupações, dieta, treinos, ofensas, picuinhas, amizades, coleguismo, confiança, hipocrisia.
Pronta pra outra.

08 maio, 2012

Revolução.







Às vezes o amor é forte tanto que fere o coração das pessoas, 
mas no meio da coragem que fere nossos sonhos 
uma luz sempre brilha adiante se tornando um único poder.





Fênix



Reorganizar-se.
colocar os pingos nos is, definir, ajustar, separar, em pratos limpos.
Quando uma organização se torna grande, ela evolui por meios próprios, chegam novos desafios e assim vai sendo até que algum obstáculo maior fica à frente. Ou acaba, ou se renova.
Não só a estrutura física, principalmente a psicológica, o "clima" organizacional...
O que de fato é um líder e o que ele faz?
As duras penas você vai aprendendo a lidar com essa posição, a unir todas as forças e transformá-la em movimento; por em prática. Muito mais do que o simples "mandar" [o papel de estrangular e silenciar cabe ao chefe, não ao líder] é unir esforços por vontades distintas, que se emparelhem em prol de algo maior. 

É.


04 maio, 2012

Leveza insuportável



É,
quando o dia acorda pra ser bom, não adianta; o mundo pode estar desabando que nada abala.
Pois bem, como é engraçado ver as pessoas cobrando honestidade, integridade e mais alguns bla bla blas e sequer  tem um sopro, fagulha destes pra poder pensar que tem tal direito à.
Cobrança por um país melhor, que a corrupção é coisa mais leprosa do momento e deve ser extirpada sendo que corromperam-se por dentro. Dentro de casa, dentro do coração. É fulano traindo ciclano, beltrano enganando o que tá longe e pior ainda, enganando a si mesmo. coitado de quem está distante, achando que por que não vê, não acontece nada. Ai ai. São mais sujos que pau de granja. Isso assusta. 
A canalhice não é algo que amedronta, se você leitor pôs o pé na jaca, talvez ainda te reste um pouquinho de dignidade para ao menos, ser homem ou mulher o suficiente pra assumir suas próprias vontades. 
O que dá medo é essa gente que tem o passado mais negro que o próprio buraco. 
Esconde, nega em vão acreditando que ninguém jamais poderá saber ou sequer desconfiar das lambanças feitas e ainda por cima, vem pregar o discurso do bom samaritanismo. Por favor: guarde sua língua ácida, venenosa pra si, quer destilar o veneno? comece por você mesmo, experimente-o. Criançada ainda vá lá né? prega uma mentirinha ali, outra acolá por medo do castigo dos pais, mesmo assim... uó. Começa com o medo de apanhar, só quando vai tendo maturidade pra compreender que o que dói não e cinta, a palmada ou chinelada, é a queda, é o tombo que se tem por não compreender essa lição.Claro, o mundo da fantasia é mais atraente do que o real, reconheço mas não passa disso: fantasia, ilusão, necessário para a vida, sem inverter o valor, por que vivê-lo é a pior prisão. O engraçado da história é que apenas os objetos das brincadeiras mudaram, sai os bonecos, o lego e entram em campo as pessoas, relações e sentimentos. Haja analise pra tanto egoísmo e teto de vidro por insegurança, falta de inteligência, de um corpo que atraia olhares de todos à volta e pra chamar a atenção é necessária uma cena básica, uma máscara, persona, álibi. Caso dê merda o famoso "não foi eu", "não tenho culpa" e o mais do que batido "não é isso que você está pensando", moldam-se perfeitamente ao rosto, igualmente a máscara. Como tal, usa-se, tira e voi lá! está com o rosto tinindo de tanto óleo de peroba passado cuidadosamente por que se não cuidar da madeira, vai apodrecer numa velocidade impensada, pior do que botox.
Se tem algo que na vida que realmente existe é a querida lei da ação e reação e já é mais do que fato, o "tempo" não é o cronológico, ele corre no seu próprio compasso, soberano.
Óbvio, ninguém é perfeito e não será. O que não dá pra engolir e fazer cara boa, é alguém lhe colocar o dedo na ferida e achar que nada vai acontecer, que é assim; límpido como água e exemplo para todos. Não vai? "conta outra". Permita ao ferido lhe atingir [já que você é uma pessoa tão exemplar] no ego pra ver como é "gostoso", "nobre", "enaltecedor".
Sacanas de plantão, preparem-se por que vai acontecer com vocês. Sempre volta. Não é preciso andar com colete à prova de balas por que os tiros não serão disparados por terceiros, vai vir de dentro, vão sangrar até a ultima gotinha do cadáver apodrecido e sujo que ostentam, acreditando de fato que estão limpos. 
Vai lá, um entorse do pé por conta do salto 15 quebrar na passarela no meio do desfile não é nada se comparado ao rombo das cabecinhas [no diminutivo mesmo] ilustres. Talvez não seja de imediato. como já disse acima, o tempo corre no seu próprio ritmo e vai voltar. O eterno retorno... fazer oquê ? Colher o que diariamente foi plantado. Se a gente evolui ? com certeza. Alguns para as coisas boas, outros para não tão boas assim. é a vida. Sem falso moralismo, hipocrisia de achar que a vida será sempre bela, que ninguém tem dúvidas, que nunca erramos e que todos são lindos, educadinhos e tudo mais. Não somos lindos, no máximo, arrumados. Educação é algo além da sala de aula e um português razoavelmente compreensível [querendo ou não, essa língua é chata com suas infinitas regras medonhas], errar faz parte do aprendizado e salutar, duvidar é não ficar inerte, não deglutir sem saber o que nos enfiaram. O que não dá pra resolver é a falta, já dizia Freud. Com a ênfase aqui não na teoria mas na prática da vida mesmo, pai da psicanálise e seu emblemático charutinho, faço aqui um adendo:
Essa demanda louca de "me olhe, me idolatre, me deseje, me ame", faz com que os pobres mortais que somos, disparar uma rajada de metralhadora no próprio pé. Aplausos para aqueles que mesmo jogando a merda no ventilador, tem a cara pra falar: "EU joguei por aqui QUIS". Convenções sobre as regras da sociedade, do que é socialmente aceitável, permitido, o que é bom, o bem e o mal ? não é disso que se trata. Bato o martelo na mesa por assistir multidões procurarem a clínica por isso. Pelas próprias máscaras que criaram em si mesmas, por ferirem os outros e cortar a si próprio "mentirinhas inocentes" ou "detalhes desnecessários" e deslocam a culpa [se é que se tem essa coisa] pro outro, como se ele próprio não existisse, nem esteve ali, "quédizê". Sim, depois de um tempo essa coisa na cara gruda e não sai. vê lá o que vai querer colocar na face hein? A vida cobra um preço altíssimo por estarmos aqui. Cinderela, acorde por aqui o conto de fadas não está a salvo nem no imaginário. Essa existência "inautêntica" navegando pelo oceano da "má fé" sem fim. É... 
E ainda tem gente achando que é lindo por fora e dentro, mal sabe que na parte interna, já tá cheio de verme [literalmente]. Melhor uma família de tênias ao chiqueiro não só mental, como emocional. 
Se te falta: amor, paciência, compreensão, razão, alegria, vontade de viver em paz ? vá atrás.
Quer receber todas essas coisas lindas dos outros? então ofereça, genuinamente. 
Por que pra apontar e atirar a primeira pedra, aprontar, mentir, se esquivar é fácil. Quero ver ser homem ou mulher o suficiente pra ir de peito aberto, oferecer-se por inteiro ao outro não só de corpo mas principalmente de alma, expondo-se ao completo ridículo de não ter nada, de literalmente: cair.
Que caia, um degrau a menos não é nada pra quem tem como objetivo chegar até o final.





"O mundo é bem menor que cê pensa.
 Mas eu não caio do salto, não grito
 Não falto com a minha verdade
 coisa boa é Deus quem dá
 besteira é a gente que faz."






Pessoalmente: Se acontecer, vai ser um atestado de incompetência pra vida e eu, vou achar é pouco: muito pouco.

02 maio, 2012


"There was a boy
A very strange, enchanted boy..."














http://www.4shared.com/mp3/aAX-pHnt/17_celine_dion_-_nature_boy.htm

chorei, beijos.

30 abril, 2012

Insone.


Você dorme ou acha que dorme.
Aí vem... de assalto, repentino: pronto, lá se vai meu querido e precioso sono.


28 abril, 2012

Sem.


"uma taça de vinho pra relaxar,
 uma taça de vinho pra dormir.
 outra taça pra viajar
 outra taça pra se permitir."

Assim passam os dias, as horas. 
De um lado, alguém num ônibus qualquer. No outro lado da cidade, outro alguém prepara-se para viajar também, viagem mais longa ainda... pra fora do país. Levou consigo o coração e pensamentos pra que lhe aqueçam nas terras frias e áridas de outro país.
Garganta e olhos já adoeceram. "onde está você agora?" 

Dores nos ombros, coluna. Como odeio viajar num ônibus.
Clima frio e ameno na "terra de toda gente", logo será a minha também. Cada vez que venho aqui, vou me afeiçoando um pouco mais pela cidade, pelo jeito de ser... enfim, me acostumando com a idéia. Primeira vez que pego esse trajeto sozinha num coletivo, foi diferente. Visitas as firmas, aos empreendimentos atuais e futuros... e penso em você. Penso se está bem, aonde está, o que está sentindo com esse encontro infeliz que está prestes a ocorrer... 
Mas também pensei em você, fantasma sombrio que me visita.
Me vi quieta, tranquila, sem a pretensão que nativos de libra tem. Os ventos sopram como brisa suave, movimentando a água de forma tranquila, da terra não dá pra saber. Correntes de ar vivem em alto mar.
Cuido dos meu avós, converso sobre muitas coisas, cuido da minha saúde, alimento minha cabeça com Marthinha e afins... dias tranquilos: "vontade de viver mais em paz com o mundo e comigo".
Vontade de estar em paz comigo, em harmonia contigo... de longe me sorri e diz: eu também.

23 abril, 2012

Pra você.


Queria te dizer pra ficar bem, que vai dar "tudo certo", mas não. Não dará tudo cero, não por enquanto.
Não há como adiantar esse tipo de dor, a perda de um ente querido. Também não sei dizer como é perde-lo assim, para as drogas que ao longo de 30 anos que ele consumiu. Só sei o que é ver alguém que você ama, morrer a cada dia que passa e não há nada que possa ser feito, dói muito. Que pesa o corpo inteiro as responsabilidades que você irá carregar... as decisões que tomar vão refletir até o fim dos seus dias, minha querida. Irá chorar, ficará sem dormir, seus pensamentos não vão cessar... vai experimentar um tipo de delírio diário, onde a cabeça não pára por um instante sequer. Sentirá dor, alívio, angústia, tristeza, alegria, desprezo por si mesmo, indiferença, fraqueza, força, raiva, paz, silêncio ao mesmo tempo: pode apostar.
Essa, é só uma das partes.
Depois vem a queda, no abismo experimenta o mergulho do escuro infinito: poço, fossa abissal.
Os dias parecerão ter 2 semanas de duração, alguém jogou solvente nas cores desbotando tudo o que passa a frente de sua retina. Terá apenas vontade de ficar imóvel: morta. Lágrimas correrão soltas sem esperar qualquer indício de vontade que aliás, não se tem de nada.
Respirarás outros ares, verás as coisas e as pessoas de um jeito que nunca viu. Apesar dos pesares, é uma grande experiência, profundíssima e que nos dá a oportunidade de encontrar consigo mesma. Algo incrível, assustador mas não deixa de ser assim: incrível. Descobrirá que tem mais forças do que pudesse um dia imaginar, que se manterá em pé por mais tempo que todos pensariam...  tantas coisas. Só poderia te dizer que é um pouco parecido quando se vai ao mirante. É vasto, a imensidão que se experimenta é única. De saudade, solidão, de certo consolo, de perguntas e respostas silenciosas... 
Muitos irão te dar um abraço forte e dizer "vai estar tudo bem", você fechará os olhos e naquele momento desejarás que sim, vai estar tudo bem. Como uma pílula mágica, uma droga qualquer que tira a realidade momentânea. Estará aqui mas ao mesmo tempo não. Apensa o corpo fica. Você, aí de dentro, faz tempo que partiu pra algum lugar desconhecido.
Se perca, é necessário para poder encontrar-se verdadeiramente. Chore tudo o que tiver, como vier.
Nesse posso fundo, encontre a saída; sempre tem uma.
Mas acredite quando te digo que vai ficar tudo bem, não agora mas vai ficar. O velocímetro do carro poderá marcar facilmente 170 Km/h numa estrada deserta, como se quisesse atingir o limite, ápice. Já ouviu dizer uma vez que o medo é uma constante mas aceitá-lo, te torna mais forte? é mais ou menos isso. Vai correr para o extremo da linha só para sentir, pra provar a si mesma que ainda não enlouqueceu, testará todos os limites e ninguém saberá. Apenas uma pessoa: Você.
Ninguém disse que seria fácil, ninguém jamais disse que seria tão difícil assim. 


20 abril, 2012

Elementos

Você, bichinho que possui ferrão mortal, regido pelo planeta [que agora nem é mais considerado como tal] mais distante...
Se soubesse o quanto penso, no que vão sendo esses vai-e-vens de neuras na minha cabecinha, entenderia que a balança está mais para gangorra. Não de sentimentos, mas pensamentos, sim, estes que tanto te atordoam nesses últimos dias.
Vejo se debater em todos os lados do pote de vidro, bicho enjaulado, ferino, pronto para atacar. Mas meu bem, entenda que: apenas você está aí. Não é artrópode, embora tenha várias patas e artimanhas e garras e muitas outras coisas para sobreviver. Para a guerra, não teria escolha melhor, até Ares destronaria seu animal para eleger-te.
Bicho engaiolado além de fúria, sente medo. Apesar dessas bravura toda, da parafernália que dispõe... não passa disso, animal preso, acuado. O covil que te aprisiona não é o vidro, é tua carcaça, cabeça e coração.
Não lhe ensinaram coisa alguma sobre essa força que te toma, engole, masca, devora e te digere, sem conseguir mensurar absolutamente uma vírgula. Não há filtro, nem antídoto para isso, mais letal que seu próprio veneno: o insuportável da ordem do insuportável... Fora forjado em fogo, aferrecido no mais gélidos dos oceanos para que pudesse suportar os extremos de sua vivência.
Hoje você encontra-se assim, recolhida. Raios, trovoadas que cortam o céu em pleno meio dia só parecem demonstrar o que se passa por aí, deste lado.
Estendi a mão. Gentileza nunca foi e não será agora, um dos seus pontos marcantes. Serei picada: magoada.
Mas não importa, não por hoje. Por que embora na chuva, aguardo pacientemente sem mover um músculo da face, pois sei que a tormenta que te aflige passará assim como o mal tempo que cai ao meu corpo não será eterno. Sabe que te espero.

Estendi a mão, apenas.

17 abril, 2012

Last night

Sentada no meio fio da calçada, te conto que uma mulher de 29 anos está dando em cima de mim descaradamente. Você me responde dizendo que está quase há dois anos tentando e que por isso, é a primeira da fila.
Sentada nessa mesma calçada, te conto que disse a essa mesma mulher de 29 anos dentro do seu potente carro que a única pessoa com quem me envolveria nesse círculo todo, é alguém que ela sempre soube. Não sendo o suficiente você me pede para que eu diga quem é essa pessoa: digo seu nome. Então você abre não só o sorriso mas os braços e me abraça, aperta [apertando mesmo, por que acho que sinceramente você tem mais força que eu].
Te olho, rio e pergunto ainda qual era a surpresa enquanto você ainda me aperta e fala que não era surpresa, mas que precisava ouvir. Rimos.
Apenas um detalhe: "eu gosto quando você faz cafuné em mim"
Nota mental: querendo ou não, é quase espartano.

12 abril, 2012


"É tão fofinho"

11 abril, 2012

Quando olhos violeta brilharem mais,
E pesadas asas ficarem leves,
Vou provar o céu e me sentir vivo de novo.
E vou me esquecer do mundo que eu conheci,
Mas juro que não vou te esquecer,
Oh se minha voz pudesse alcançar o passado,
Eu sussurraria no seu ouvido:
Oh querida eu queria que você estivesse aqui.


Owl City - Vanilla Twilight

09 abril, 2012

Canteiro.



Dizem que amor é uma loucura. Leva a ela: à ela.
Ontem vi com com meus próprios olhos a passagem metafórica se tornando realidade e quase que não virou coisa pior. Agora me pergunto: em que ponto o gostar se transforma em obsessão, em que grau ela vira perseguição a ponto de tentar contra a vida alheia?
O amor ficou em qual curva do caminho? em qual descida dessa estrada que a própria pessoa abandona a si mesma, aliás, se serve numa bandeja para outra?
Uma força aniquiladora compatível com a pulsão de morte. Ver o desejo absoluto de "aniquilar" qualquer tipo de ameaça perante ao "objeto" de desejo.
Eaí, nesses momentos é que dá pra ver no que nos tornamos. Mas peraí: dizem que o amor não faz a gente sofrer, chorar. De fato, o amor não machuca, quando parte de ambas as partes e cedem na mesma medida. Porque há de saber como amar. Envolve não só o gostar, do tesão em si; passa pela verdade, tem como um terreno sólido a sinceridade e o respeito [a si mesma e a outra] como alicerce, paciência, perdão, compreensão, resignação, fé... parece ser construção.

E é.
Por isso que muitos desmoronam, alguns resistem ao tempo, outros sofrem sérios abalos... vai depender do empenho dos construtores sobre o que fazer: reformar, demolir, reparar, construir, manter. As vezes a moradia é linda, suntuosa. Porém, condenada por que os pilares não são seguros, e aí você decide se arrisca viver perigosamente ou derruba tudo e recomeça do zero. Noutras vão ter um telhado regaçado, a infiltração fez meleca pra tudo quanto é lado... mas se trocar o forro, as vigas, colocar telhas novas, abrir o buraco na parede, impermeabilizá-la, rebocar, passar o esmalte e lixar, tá tranquilo.
Tudo depende das mãos: são nelas que vão estar o prego pra martelar no caibro novo ou a marreta que vai levar tudo ao chão.


Há de se saber.

08 abril, 2012

Já passou.

É,
pelo jeito não era coisa boa a inquietude toda.
2 internações no hospital but, todos voltaram sãos para suas respectivas casas.
Logo será páscoa... para alguns, passagem. Para outros, uma nova aliança.
Hmn, tem tanta coisa pra se pensar e refazer no mundo...

Venta fresco, trazendo trégua, amém.



Neste momento você volta do Lollapalooza, enquanto vou dormir.

06 abril, 2012

Fluir


O vento vem trazer notícias...
que agonia.

05 abril, 2012

Estava escrito.


"Acredito em destino, mas interfiro bastante"


Martha Medeiros







Maktub
Dito e feito.
Como num presságio, o vento trouxe as primeira notícias ainda pela manhã.
Hospital, soro, desmaio, mais soro, 4 litros de líquido: dengue.
mas não é tudo... para ficar nessa inquietude, ainda não veio a coisa mais tensa.
é esperar e ver.

03 abril, 2012

Vácuo

Uma grande dúvida paira no ar diante os próximos dias: um feriado prolongado com gosto de ano inteiro. Se os 20 livros que comprei chegassem num piscar de olhos, seria útil. Início de agonia, mas pra que isso agora?
A preguiça de ler as bibliografias recomendadas.. deixa pra lá Paulo freire, Souza Pato, Focault e sei lá mais oque. Que as teorias da educação brasileira com seu sistema complexo e mergulhado em completa defasagem fique para 2° plano. Pelo menos não por essa semana, quero um tempo.
Estamos em abril, é o quarto mês desse ano... como vem passando depressa.
Ontem, ao entrar no quarto refleti na solidão que é viver aqui. Pouquíssimas vezes ela se faz tão presente como no momento da reflexão. A sensação do completo vazio e silêncio é algo que impressiona quando se pensa nela. Algumas perguntas que serão sempre feitas e provavelmente não terão respostas. Pensei nesses meses que venho morando sozinha e reparo se senti remorso ou qualquer tipo de tristeza profunda, daquelas que a casa parece que te engoliu e vai digerindo noite a dentro. Nas vezes que acordei com medo...
Impossível não pensar se vou me acostumar a viver novamente em família, na mesma casa.
Quando você acorda de pesadelos ou sonhos e sentada a beira da cama, tenta enxergar algum sentido no que te despertou. Nas dúvidas que te acompanham, os fantasmas que ficam a espreita na escuridão, observando cada passo. Você não enxerga, mas sabe que está sendo observada, você sente isso passando por todos os poros da sua pele.

Eu deveria dormir, mas há dias não prego o olho por mais de 4 horas.
Algo está por vir... como se o próprio vento de outono sussurrasse pelos cantos.
Enfim.
Fim.

01 abril, 2012


Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira ao nosso favor
A consequência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar



31 março, 2012

No ar

Depois de um sarau com legião e quase ser assaltada por um manolo na rua... hoje: sim, hoje é dia dele e claro, eu sou dele. Ai brasil, tributo ao nando reis - O lindo.
Vou chorar, beijos.
Obrigada Deus, por me deixar chegar em casa sã e salva.

29 março, 2012

Porto.

sabe o que que é lindo?
é você atravessar a cidade só pra levar algo pra pessoa comer, sabendo que ela está cuidando de outra pessoa [os 3 bêbados] , você encostar a cabeça no portão, ela encostar a cabeça na sua e as duas quererem dar um beijo mas não rola por conta da grade as 3:50 da manhã.
fazer prometer que quando ao acordar, vai mandar notícias... enfim,

tudo culpa do vinho do capeta.

27 março, 2012

- Eu acho que a gente faz um ótimo trabalho: juntas.
(...)
[eu também].

25 março, 2012

Truth



Seu olhar me acompanha
Do outro lado da rua
Um sorriso, discreto
E hoje a noite é minha...
Seu andar folgado me chama
Da morte ela morre de medo
E já disse que me ama
Mas tem que ser em segredo...
Sobre nós dois
Ninguém vai saber de tudo.

21 março, 2012

Titanium


Um carro estaciona a frente do portão cinza.
dia nublado, abafado.
- por onde é melhor?
- vira aqui, faz o contorno que fica mais fácil.
toca-se coldplay.
apenas 10 da manhã e resolveram sair da cidade, saber um pouco mais de cada uma.
- acho que vamos pegar chuva, tô com medo.
- nunca dirigiu na chuva na estrada? calma, é fácil.
silêncio, conversas, cantorias, conversa, canta-se alto para subir a cidade do paralelo místico.
vê sapo em pedra, duende... chuva.
almoço, mais 40 kilômetros, mais chuva. Mãos firmes num volante onde o ponteiro demarca 160 Km/h e a sensação é de que não está nem a 120 Km/h.
"será reflexo, trauma do dia que capotou? hmn.. talvez."
cachoeira, chuva, algumas fotografias, frio.
pausa para o picolé, tempo fechado, risadas, frio, linkin tocando.
- tô quase te arrastando pra fisio comigo.

assim, passou o dia.

17 março, 2012

You, preta.


I bet you wanna know






e o pior [ou melhor] é que já sabe ;)

14 março, 2012

Deus


Ultimamente venho prestando mais atenção em algumas coisas que acontecem ao redor.
e as duas últimas foram em menos de 5 dias.
Domingo, estávamos sem alojamento, sem dinheiro e já passava das 7 da noite. Sem local pra ficar, nem sabíamos aonde iríamos parar e só embarcávamos no outro dia, de tardezinha. Mas uma amiga e eu estávamos muito calmas e confiantes... e eis que surge uma senhora com sua neta. Depois de muita conversa e informações sobre hotéis baratos e pensões, ela ofereceu sua casa.
Um teto, banho, comida e muito mais do que providências básicas: afeto.
Dona Célia é daquele tipo de pessoa que a gente guarda num potinho. Quando começou a contar sobre Aghata, que nasceu de 6 meses, teve 3 infartos e 1 AVC grau 3, perdeu a visão do olho esquerdo e tem somente visão parcial do direito. Os pais da menina, sua nora e filho, ambos usuários de drogas. Seu filho mais novo com vários problemas de saúde, inclusive: com coração ao contrário.
Pessoa como essa, que teria de tudo pra ser rude... mas é doce, de coração manso.

Ontem, pela 8° vez fui ao banco tentar o acordo pra pagamento de dívida no nome da minha mãe, nada feito. Hoje a tarde, estava deitada e me veio uma vontade súbita de acreditar na vida, acreditar nos sonhos, de que a vida pode ser melhor, de que "tudo vai dar certo", tudo. Quando resolvi abrir um comunicado do banco e lá estava: desconto de 65% da dívida do cartão. chorei e gritei de felicidade por que era o valor exato que estava disposta a pagar.

Cada vez mais eu acredito que existe sim, alguém lá em cima [e não estou referindo a minha mãe] que nos guia. Que quando existe de fato: Deus. Cada vez mais presente na vida. De formas as vezes esquisitas, na verdade incompreensíveis. E vai fazendo com que a gente ande cada vez mais. Chorei tanto ontem de saudades da minha mãe e hoje sorrio e agradeço tanto por ter alguém que nos acolheu esse domingo, por mais essa pedra retirada do caminho... só resta o banco. Quase não dá pra acreditar!

Repasse.

30 horas acordada, 4 horas dormindo, 16 horas sem comer, 7 horas jogando.
ânsia de vômito, torção do pé esquerdo, dor, cansaço extremo.
alojamento, frio, banho, descanso, sorrisos, feirinha, café da manhã, almoço, partida, hospital, deslocamento do joelho direito e suspeita de ruptura do ligamento cruzado.
Uma desconhecida, mão amiga, 10 pessoas numa casa simples, histórias de vida, lágrimas nos olhos, lanche, uma volta na cidade de ruas tortas e íngremes, perda do cartão.
malas, carros, ônibus, kilômetros, check in, turbulência, dramavit B, tristeza, sono, plantas secas, casa.

um gato desesperado por comida e água, casa vazia. Histórias: pra quem?

13 março, 2012


Aonde está você agora, além de aqui: dentro de mim?




aonde você está, mãe? aonde...

08 março, 2012

cacete;
já não é o bastante? vai viver a sua vida e me deixe em paz de uma vez por todas.
já que está feliz e bem, pare de querer saber como estou, o que faço ou o que deixo de fazer.
não vou ser sua amiga, entenda isso.

Pare.

07 março, 2012

Em que esquina dobrei errado?


Aconteceu em Paris. Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar o táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. Depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place des Voges, lá vou eu. E fui.

Sem um mapa à mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava. Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. Gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e então, várias quadras adiante, não foi a Place des Voges que surgiu, e sim a Place de la Republique. Eu tinha atravessado uns três bairros de Paris, mon Dieu.

Perguntei a um morador o caminho mais curto para voltar à rua onde ficava meu hotel, e ele me apontou um táxi. Teimosa, pensei: ainda tenho um tempinho, voltarei a pé. E assim foram minhas duas últimas horas em Paris, uma estabanada andando às pressas, saltando as poças da noite anterior, olhando aflita para o relógio em vez de flanar como a cidade pede. Cheguei bufando no hotel, peguei minha mala e, por causa da correria, esqueci no hall de entrada uma gravura linda que havia comprado e que planejava trazer em mãos no voo. Tudo por causa de uma esquina que dobrei errado.

Foram apenas duas horas inúteis e cansativas, e duas horas não é nada na vida de ninguém. Mas quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Alguns desacertos pelo caminho fazem a gente perder três anos da nossa juventude, fazem a gente perder uma oportunidade profissional, fazem a gente perder um amor, fazem a gente perder uma chance de evoluir. Por desorientação, vamos parar no lado oposto de onde nos aguardava uma área de conforto, onde encontraríamos pessoas afetivas e uma felicidade não de cinema, mas real. Por sair em desatino sem a humildade de pedir informação a quem conhece bem o trajeto ou de consultar um mapa, gastamos sola de sapato à toa e um tempo que ninguém tem para esbanjar. Se a vida fosse férias em Paris, perder-se poderia resultar apenas numa aventura, mesmo com o risco de o avião partir sem nós. Mas a vida não é férias em Paris, e aí um dia a gente se olha no espelho e enxerga um rosto envelhecido e amargurado, um rosto de quem não realizou o que desejava, não alcançou suas metas, perdeu o rumo: não consegue voltar para o início, para os seus amores, para as suas verdades, para o que deixou pra trás. Não existe GPS que assegure se estamos no caminho certo. Só nos resta prestar mais atenção.

06 março, 2012

when it rains


você sempre encontra uma saída?

03 março, 2012

Terapia do joelhaço

Sentado em sua poltrona de couro marrom, ele me ouviu com a mão apoiada no queixo por dez minutos, talvez doze minutos, até que me interrompeu e disse: "Tu estás enlouquecendo".
Não é exatamente isso que se sonha ouvir de um psiquiatra. Se você vem de família conservadora que acredita que terapia é pra gente maluca, pode acabar levando o diagnóstico a sério. Mas eu não venho de uma família conservadora, ao menos nem tanto.
Comecei a gargalhar e em segundos estava chorando.
"como assim, enlouquecendo??"
Ele riu, Deixou a cabeça pender para um lado e me deu o olhar mais afetuoso do mundo, antes de dizer: "querida, só existem duas coisas no mundo: o que a gente quer e o que a gente não quer".
Quase levantei da minha poltrona de couro marrom (também tinha uma) para esbravejar: "então é simples desse jeito? O que a gente quer e o que a gente não quer? Olhe aqui, dr. Freud (um pseudônimo para preservar sua identidade), tem gente que faz análise durante catorze anos, às vezes mais ainda, vinte anos, e você me diz nos meus primeiros quinze minutos de consulta que a vida se resume ao nossos desejos e nada mais? Não vou lhe pagar um tostão!".
Ele jogou a cabeça pra trás e sorriu de um jeito ainda mais doce. Eu joguei a cabeça pra frente, escondi os olhos com as mãos e chorei um pouquinho mais. Não é fácil ouvir uma verdade à queima-roupa.
"Tem gente que precisa de muitos anos para entender isso, minha cara". Suspirei e deduzi que era uma homenagem: ele me julgava capaz daquela verdade sem precisar frequentar seu consultório até ficar velhinha. Além disso, fiz as contas e percebi que ele estava me poupando de gastar uma grana preta.
Tá, e agora, o que eu faço com essa batata quente nas mãos, com essa revelação perturbadora?
Passo adiante, ora. Extra, extra, só existe o seu desejo.
É o desejo que manda. Esse troço que você tem aí dentro da cachola, essa massa cinzenta, parecendo um quebra-cabeças, ele só lhe distrai daquilo que realmente interessa: o seu desejo. O rei, o soberano, o infalível, é ele, o desejo. Você pode silenciá-lo à força, pode até matá-lo, caso não tenha forças para enfrentá-lo, mas vai sobrar o que de você? Vai restar sua carcaça, seu zumbi, seu avatar caminhando pelas ruas desertas de uma cidade qualquer. Você tem coragem de desprezar a essência do que faz você existir de fato?
É tão simples que nem seria preciso terapia. Ou nem seria preciso mais do que meia dúzia de consultas. Mas quem disse que, sendo complicados como somos, o simples nos contenta? Por essas e outras, estamos todos enlouquecendo.

25 de abril de 2010

02 março, 2012



daqui a algumas semanas:
bem vinda ao bodybuilding.

[agora a porra ficou extremamente séria!]

29 fevereiro, 2012



quanto falatório, especulação.
se fosse acreditar em tudo o que dizem, já tava transando no teto de quatro.
que é fulana do meu bloco, ciclana de outro, beltrana que é fulana de tal. rsrsrs
gente, quanta coisa e aliás, besteira né?
estou tão atoa, nessa preguiça boa de ficar esparramada no sofá, ou deitar confortavelmente numa rede e ver o dia passar sem falar nada, apenas curtindo.


apenas.

28 fevereiro, 2012



[adorei!]

27 fevereiro, 2012

Você;


como as coisas mudam de uma hora pra outra.
apenas um minutos, um segundo, uma informação, uma palavra, uma confissão.
que coisa não ?
para se libertar, para se aprisionar, para voltar atrás, andar adiante.
ando quieta demais nos carro alheios, sei o que significava a música que você colocou no volume 30: "I want you". mesmo sabendo que não pode.
mas é isso, não queremos saber o que não pode ser feito, queremos o impossível: possível.
assim como salto, campinas, o veto da minha participação, ânimos exaltados... enfim, respostas.
a conversa de horas dentro do 500, algo que precisava ser dito a meses atrás.
não faço ideia do que vem pela frente.
vou para casa as 3 da manhã e você me manda mensagem pra saber se estou viva e segura no meu lar, e isso se repete diariamente. vou perguntando quantas vezes você explodiu no dia, ou chorou ou sei lá oque mais.
estranhamente estamos calmas demais, as coisas estão fluindo demais... que chego a duvidar. mas quero é mesmo saborear esse momento, tá tão bom, pra que se preocupar né ?
deixa pra lá.
e pode ter certeza, se cabelo ficará lindo.

25 fevereiro, 2012



Tão natural quanto a luz do dia
mas que preguiça boa, me deixa aqui a toa
hoje ninguém vai estragar meu dia.
Alguém te perguntou como é que foi seu dia?
uma palavra amiga, uma notícia boa
isso faz falta no dia a dia.

22 fevereiro, 2012

é, éramos uma vez. beijos.

Em construção.



dessa vez, leia e preste atenção:

" (...) Como uma adicta, vou vivendo um dia de cada vez, RE-aprendendo a viver sozinha; viver SEM você em minha vida. E é tão estranho, mesmo eu sabendo que vou mudar de cidade, que minha vida será diferente do que tive até aqui, quando me vejo montando minha própria casa, só há uma pessoa que vejo descer as escadas do meu mezanino pela manhã... Claro, não é surpresa, é mais do que óbvio que é você, somente você. Até no bendito sonho de consumo, no planejamento dos meus sonhos você está presente. Talvez seja por isso mesmo, “sonho”. Algo que a gente tem quando está dormindo. Não fui acordada por que quis, foi jogada pra fora da cama com um sonoro: se vira. E de repente me virei e constatei: estou só.

Para onde foi você, bela? (...)"

17 fevereiro, 2012

"tente por fogo num papel meio úmido e depois, ponha fogo num querosene...
o que acha que vai explodir?"


15 fevereiro, 2012

14 fevereiro, 2012

Queria que entendesse: eu sinto saudades.

Tem dias que a tarde tá uma merda.
tem noites que passam tão rápido
Algumas manhãs parecem retrocesso...
viver uma vida adulta é isso, produção? não.
apenas viver, com todas as suas implicações, singularidades....
não sei mas sinto que o tempo vai passando de uma maneira diferente.
talvez o processo de envelhecer esteja fazendo o seu papel, um pouco mais de paciência, uma pitada de empatia e agora as histórias que os mais "velhos" me contam, não tem mais aquela barreira de ser aquelas coisas mágicas ou lendas que os anciãos contam aos mais novos e sim, como se estivessem falando a outro velho amigo. Não sei.
hoje a vida me mostra algumas de suas nuances, quando lembro de minha mãe, lágrimas correm.
algumas dores que nunca serão esquecidas, assim como sorrisos que ecoam sem fim.
não sei o que é ser adulta, aliás, quando era bem menor achava que ser gente grande era ter casa própria e ter um negócio. Tenho os dois e ainda não sei se sou adulta.
me faz falta minha capricorniana de cabelos loiros pra dizer algumas coisas sobre esse quesito.
chove lá fora, venta frio. Chove aqui dentro e o vento sopra forte.
uma libriana quase gente grande sente uma tristeza tão profunda que os pratos da balança estão inversos.
Desculpe mas é inevitável não chorar.
Mãe, que saudades de você. Já faz quase um ano.





" Tanta falta me faz você
Mãe, o amor eu que tenho por você é seu
Como é meu
O meu aniversário."

13 fevereiro, 2012

Minha jangada.




"Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar
Do mar
Um peixe bom
Eu vou trazer
Meus companheiros sei que vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer."

Desde que entrei pro maracatu, achei essa música a mais linda de todas que já toquei.
e toda vez, TODA vez... choro quando ouço, toco.
é uma emoção dolorida, algo que vem de dentro.
sinto a jangada partindo na praia e indo navegar mar a dentro
a saudade que pulsa como as ondas que arrebentam na areia.

Seu moço, quando a gente bate o bombo, o nosso coração SANGRA.

09 fevereiro, 2012



" (...) Algo que a gente tem quando está dormindo.
Não fui acordada por que quis, fui jogada pra fora da cama com um sonoro: se vira.
E de repente me virei."

08 fevereiro, 2012

Eu tô cantando, você dirigindo
O outro ta rezando, alguns se divertindo.

É que essa vida não tá mole!


07 fevereiro, 2012




E agora josé;
formar no final desse ano, se matar de puxar matéria, estágio
ou formar no primeiro semestre de 2013 e ir mais sussa com a barca?



06 fevereiro, 2012


We'll carry on
We'll carry on
And thought you're dead and gone believe me
Your memory will carry on
We'll carry on
And in my heart I can't contain it
The anthem won't explain it.

03 fevereiro, 2012

...



"Todos os dias quando acordo"

o silêncio é mais eloquente.

02 fevereiro, 2012


Poderia sentar calmamente ao seu lado e ouvir o que seus olhos tagarelam... apesar de não produzir som algum.

01 fevereiro, 2012

E de você e de mim :)

Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
E pro que eu sou

Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
:)