31 janeiro, 2014

Ainda pensando.


A gente nunca sabe quando uma vírgula se torna ponta final. Nem faz ideia do que pode ser mudado, assim ou assado. A gente sequer sonha que aquela tarde calorenta foi a última que sentiu. E no final das contas, o que sobra de nós? o quê? Morte em vida, morte-e-vida é tão presente, tão passado, definitivamente nosso futuro. E a gente enrola as palavras, se enrosca e tropeça no tempo... quando vê, já foi. Preferimos construir montanhas de palavreados sem sentido do que dizer de fato, o que interessa. Só que no final, a gente vê e finalmente entende que nada disso serve, então entende que é como areia nas mãos, não tem sentido em tentar segurar, guardar pra si. Ah se fosse tão fácil... seria tão mais simples.
"como segurar sua mão."













A gente não deveria perder tempo com formalidades e firulas, nós deveríamos queimar todo o tempo possível conosco, apenas.

25 janeiro, 2014

First;

Talvez ele não saiba que aquela dor que ele causou, calou os olhos dela violentamente por uns tempos. Isso não é crime, é carma: magoar alguém assim, dentro do melhor vestido, remover com lágrimas o rímel cuidadosamente passado, deixar tão descrente alguém que achava a vida mágica...


Talvez ele nem desconfie que quando ele disse eu vou embora e ela tudo bem, logo que se deram as costas, ela respirou fundo uma, duas, três vezes, colocou quatro gotas de floral de Bach embaixo da língua e se afundou na tristeza (...)



Talvez ele nunca saiba que ela mudou os móveis de lugar (...) Dormiu no chão, quis mudar de religião.. (...) Pensou em mudar de curso, de profissão, de cidade. Quis mudar de si, já que seu corpo era a casa de um só sentimento. Fez uma viagem, não quis conhecer ninguém, posou de antipática porque estava apática. Se escondeu da lua cheia, fez do seu quarto um campo de concentração e depois se mudou para sala. Trancou todas as portas pra não entrar qualquer ilusão. Por tanto tempo era ela e sua tristeza intransitiva.



O que ele também não sabe porque nem ela sabia, é que um dia ela acordaria assim, vazia daquele amor. A dor exaustiva de cabeceira havia cessado, deixada no fundo do poço. Parou de se alimentar daquela porção individual de desilusão e enterrou o passado num túmulo desconhecido, para que não houvesse a menor possibilidade de revisitá-lo.


(Ele quase soube disto quando pensou que ainda estava recente para ensaiar uma recaída, um flashback. Mas para ela, que só soube na hora do reencontro tão almejado, já era tarde.)



Havia criado um mantra: No momento em que me dei inteira, ele me deu as costas. Isso não pode continuar supervalorizando uma saudade. Ser uma mulher curada de um amor, dependendo das circunstâncias, pode ser melhor que ser uma mulher amada... por ele.



E o seu melhor vestido pedia uma nova chance e um rímel à prova dágua.

[Marla de Queiroz]

16 janeiro, 2014

A passagem


"Como será que é morrer?"
Ainda meio zonza do sono, sentia essa pergunta no fundo da língua. Pronta para se desenrolar. Coisa diferente, sensação primeira. E pela primeira vez, senti medo da morte, de morrer. Por sentir uma solidão furiosa, não há nada no momento da morte, talvez. Nada para se apoiar, nem tentar se agarrar. Então abri os olhos e vi as duas cadeiras marrons, o tapete e a tv ligada. Não estou nem um pouco interessada em pendurar meu par de tênis... talvez esse assunto começou por ler ontem a noite sobre o assassinato de alguém ou pela conversa de como foi a morte da minha mãe. Acordei e lembrei de tantas coisas que se passaram entre nós, das conversas que eu achava inúteis e ela vivia me dizendo: "um dia você vai entender" ou "quando você estiver no meu lugar vai saber". E só agora começo a me dar conta de praga de mãe pega mesmo. Se eu sinto falta dela? sim. Gostaria de poder fazer perguntas que jamais sonhei em dizer... não era mais questões do tipo: ô mãe, por que 4+2 é = a 6 e não um passarinho de cor laranja cantando? são coisas sobre a vida. Perguntar quantas vezes sentiu medo de arriscar, quantas vezes perdoar alguém, estender a mão uma vez mais ou virar as coisas e não olhar para trás, se ela tinha muitos arrependimentos, o que fez ela feliz por todos os anos que viveu... coisas bregas. Tenho a real sensação de que flutuo como um dente de leão, ao sabor do vento. A haste que me prendia era ela, única. Já não tenho mais.. o vento soprou pra longe e hoje vagueio por aí, sem destino certo. Relatando essa sensação à uma colega, ela disse algo que faz totalmente sentido: " lar é a pessoa, não a casa". É isso. Perdi meu lar. Onde moro, pareço ser estrangeira. Na verdade sou estrangeira em todos os locais que vou, não importa se é na casa do meu pai, da minha avó, ou na minha antiga casa. Não me encaixo algum local e aí a saudade aperta o coração e faz os olhos soltarem algumas lágrimas. Ando chorando com frequência, dormindo depois das três da manhã. Desde muito pequena fazia umas perguntas muito estranhas para a minha idade e isso só continua piorando. Quando será que toda essa minha pólvora vai queimar por inteiro e eu finalmente vou cessar? Amo andar pelo mundo [seja do lado de fora ou de dentro da minha casca] mas preciso de uma pausa; 2 ou 3 compassos? pois é. É nessas horas que sinto falta do abraço da minha mãe. Frio queima a gente.... eu já não consigo mais endurecer meu coração como antes e me dói tanto. Sei que vou ser eternamente magoada dessa maneira mas fazer o quê? Amor é assim mesmo, a gente jamais desiste. Mesmo não estando mais perto... obrigada por não ter desistido de mim mãe.

14 janeiro, 2014

Leve abstinência.

http://fazdecontalove.tumblr.com/post/71865112657

11 janeiro, 2014

Des[abafo].


São 15 para as 4 da manhã de sábado, 11 de janeiro... oi 2014.
Você chegou e eu não me sinto revigorada, com as baterias carregadas ao máximo, porém, aliviada por ter rolado a pedra que estava no meu tórax. Evitei falar sobre isso nestes dias, visitando os escombros do grande incêndio que ocorreu por dentro. X-tina ressoa em meus ouvidos neste momento cantando "say something." Embora nem seja essa música (e na verdade não seria uma só que poderia me fazer entender, como boa libriana que sou). Meus sentimentos e emoções fluem com elas... passaram no filtro: roar, undondicionally; viollet hill, segreto, do fundo do meu coração, no light no light,  jar of hearts, preteding, tempo perdido, no me compares, strani amori, non me lo so spiegare, shoot at the night, carry on, limpido e as campeãs: sweet nothing, clarity e let me go. Uma junção de harmonias, ritmos e sentidos. Não posso nem ouvir direito Pink que me dá arrepios. Esse péssimo defeito de ligar qualquer e todos os tipos de afeto que passam em meu cotidiano: T-U-D-O tem trilha sonora. Pra quem não é extremamente musical, enlouqueceria. Olha 2014, o finalzinho do seu predecessor foi U-Ó. Sabe o que é passar com uma corda no pescoço, que te enforcada dia a dia? e não havia como puxar... por mais que eu gritasse por socorro, praticamente implorando. Então, restou a única alternativa: Colocar tudo abaixo. Chutar a pedra angular de todo o edifício e ver a estrutura ruir. Sabe ano novo, me sinto cansada de ser alguém que é sempre a que tem que compreender todas as situações, de ser o poço da paciência quase infinita, de vestir tons pastéis e vomitar sempre pra dentro por isso. As pessoas confundem minha profissão, achando que me transformei numa massa ambulante uniforme e quase inatingível. Não, não sou MESMO. É fato que tenho uma paciência e teimosia desproporcional... e apesar de contrariar todas as expectativas, existe sangue correndo em minhas veias, quente. Não sou um papel. Vibro no mesmo tom do arco-íris. Brilho, apago.... odeio, na verdade D-E-T-E-S-T-O ser levada para o limite e ainda mais quando ultrapasso essa fronteira. Fico estrangeira de mim mesma, num exílio que beira a loucura. A beira por que é o extremo da razão que me dói. É por entender demais, e aquilo que não entendo, ainda busco num esforço insensato o mínimo de compreensão, como por exemplo: entender que há você, do outro lado desta tela que fica vindo me visitar neste blog as escondidas [como se eu não pudesse verificar os acessos que tive por aqui]... entender que você, tem é medo de desapontar sua mãe e de a cara a tapa. Você que me julgou covarde e sem atitude. Te digo que nesse tempo todo, esses atributos felizmente, não me pertenciam. Ser covarde é não admitir e muito menos aceitar para si mesma o que sente. E sai cortando pessoas, fingindo não se dar conta ou de não lembrar de nada. A arte de ignorar... tão bem executada que ignora a si mesma, sua própria existência. Calou a pessoa de dentro com super bonder. Isso é covardia das grandes, que perpassa pelo egoísmo, machuca os outros por que não suporta a simples idéia da possibilidade de sentir a brisa mais fria de desapontamento. A liberdade sempre deu medo ao ser humano não pelo termo em si, mas pela responsabilidade de suas ações, o homem se torna consciente da sua existência a partir deste momento. E não lidar com isso, renegar é má fé pura. Somos escravos dessa liberdade que chega a doer os pulmões de tão pesada que se transforma, ao longo do despertar da consciência. Mas não há como eu dizer que existe apenas um lado errado nessa história. Fui culpada por depositar a minha felicidade em outro alguém. Erro idiota e primordial, fatal. Cheguei a conclusão de que não entregamos nosso coração para as pessoas só pelo amor, mas respeito e principalmente: confiança e merecimento. Por achar genuinamente que fosse merecedora. Havia um elo poderoso que nos ligava e se chamava: confiança. Há algo que pessoa alguma, neste planeta [tirando os perversos = psicopatas e sociopatas] pode ousar brincar, é com os sentimentos dos outros. E você foi além da ousadia... e assim, ruiu o que tínhamos. Te olhar na cara foi tão... vazio.
Abraçá-la foi incomodo, acredito que sentiu isso também, por que no final daquela conversa babaca, sequer conseguia me olhar. Dizer que não iríamos mais nos ver não foi doloroso como sentir o que houve no momento em que li: "retorno ao brasil". É como assistir o final de um ser vivo agonizante. Meu amor por você não vai desaparecer da noite pro dia, por mais que eu gostaria. Entenda: amo você, muito. Mas a dor que me causou finalmente foi maior do que meu amor e paciência. É como a emma diz ao dexter: "eu amo você dex, muito... mas não gosto mais de você". Não preciso citar os motivos que levou até aqui. Vou cumprir o prometido, não irei mais te procurar. Sei que vai reaparecer mas quero te alertar: volte apenas se tem coragem o suficiente para demonstrar o que sente e admitir sem culpa o que quer. Se ainda assim optar por insistir, te digo que não será nem um pouco fácil. Você conseguiu me perder não para outro alguém, mas por mérito próprio e com um plus, emplodindo a confiança que tinha em você, em nós. Hoje, ficou o medo e a colonia de pulgas atrás da orelha [por assim dizer]. Então, entre pra uma aula de yoga... acho que será mais fácil. Paciência, engolir orgulho e drama próprio nunca foram seu forte. 

No mais, te desejo aquilo que disse por sms.

Sorte, em tudo.

25 dezembro, 2013



Chegou a hora.

20 dezembro, 2013

"will we forever only be pretending?"

Face to face and heart to heart
We're so close yet so far apart
I close my eyes I look away
That's just because I'm not okay
But I hold on I stay strong
Wondering if we still belong

Will we ever say the words we're feeling
Reach down underneath it
Tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or will we forever only be pretending
We will always be pretending

How long do I fantasize
Make believe that it's still alive
Imagine that I am good enough
If we can choose the ones we love
But I hold on I stay strong
Wondering if we still belong

Will we ever say the words we're feeling
Deep down underneath it
Tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or will we forever only be pretending

Will we (oh oh) always (oh oh) be keeping secrets safe
Every move we make
Seems like no one's leting go
And it's such a shame
Cuz if you feel the same
How am I supposed to know

Will we ever say the words we're feeling
Deep down underneath it
Tear down all the walls
Will we ever have a happy ending
Or will we forever only be pretending
Will we (oh oh) always (oh oh) be pretending.

17 dezembro, 2013

December.

E não é que dezembro já chegou?  Mês de encerramento de tantas coisas...  não é apenas o fechamento do ano, mas de sentimentos, pessoas, sonhos, projetos. Faz um tempo que não venho aqui escrever algumas coisas... por problemas de "conexão". Tanto quando a internet como a minha própria conexão, a interna.

Tempestades e maremotos fizeram tanto barulho dentro destas tripas que o silêncio é consolador agora. Cansaço sempre vem junto, mas não é aquela coisa que te trava. Um pouco mais sóbria, um pouco menos de perfeição, partes do orgulho craquelam na pele e vão ao chão. Sou uma velha. Ai.
Passei da idade, como uma fruta que amadurece rápido demais e com isso, algo ficou para trás. Há partes podres e são difíceis de tirá-las. "Adeus ano novo, feliz ano velho."

06 dezembro, 2013

Dança da solidão


Mais um módulo e de quebra, daquele jeito: sono de menos, olhos abertos demais! As vezes você tá tão fodida por dentro que fala pra si mesma: já que tá no inferno, abraça o capeta. Vamos sambar na jaca.
Por que quando você sente dor, comece a dançar. Se não passar, pelo menos ajuda a distrair o tempo e rende boas histórias.

03 dezembro, 2013

Metamorfose

Ontem passou "querido john" na tv e resolvi assistir. Embora eu tenha certa resistência em ver as adaptações que fazem das obras, neste caso preferi ver até por que nem tinha lido o livro ainda. Então.. assim não rola tanta decepção. Uma história interessante e o final, aberto? sei lá. final é assim mesmo, indefinido.

02 dezembro, 2013

"Quem você pensa que é?"


"And who do you think you are?
runnin' 'round leaving scars 
collecting a jar of hearts
tearing love apart.
Who do you think you are?"

18 novembro, 2013

Fall/spring



Já teve a sensação de que não tem nada de interessante pra dizer e ainda assim, querer dizer? "quem nunca?" é uma expressão popularmente para demonstrar coisas que poderíamos achar bizarras mas que na realidade são muito comuns a nós, pessoas. Pois é, venho aqui quase que diariamente querendo escrever algo, um  não sei o que e me perco em meio as palavras. Começo um texto dizendo algo e acabo escrevendo uma coisa totalmente diferente da ideia primária. Não sei se isso é emburrecimento, falta de atenção, foco... bem a luz da realidade é que estou diluída em tantas coisas que essa mesma montanha sou eu. As vezes acho confuso, noutras nem um pouco. Como não saber se desejo felicidades para alguém ou se mando pro inferno, o que dói menos? Ah, amor e ódio não são distintos, apenas o verso, a sombra de cada um. Sinto vontade de sentar no mirante em dia de vento e ficar por lá talvez tomando chá, um pequeniquezinho qualquer... sem a pretenção de ser algo grande por que o melhor desses momentos não são os tamanhos das coisas, mas o peso. Neste caso, o "não" peso. Ar pesado é tempestade, é frio. 

14 novembro, 2013

Perdendo o sinal.

As vezes fico pensando no que pode estar passando na sua cabeça. Pra mim, é tão desconsertante ver que são opostas as vontades que te fazem mulher. Porque me recuso a enxergar que você possa ser simplesmente uma grandessíssima filha da puta? Por que não consigo acreditar que as pessoas possam mentir com os olhos e coração sangrando. Será que isso é possível? Refuto a hipótese por lembrar do que enxerguei dia 5 de outubro.... foi um pelotão de fuzilamento, um cavalo salvagem se curvou e não foi usado o chicote. Mas enfim, por pensar nisso e pelos acontecimentos ocorridos nos últimos tempos, suas palavras me deixam com ânsia, a possibilidade de aproximação me revira o estomago. Não quero seu toque, nem seu olhar. Por que agora, essas coisas não me fazem mais o sentido como antes, somente de uma reaproximação sorrateira e escusa, onde você ignora todos os meus apelos e não sede uma vírgula sequer, nem um milímetrozinho pra dizer a verdade. Falei, escancarei, arreganhei tudo o que senti, me abri por completo e deixei ser ferida sim. Não é raiva que se passa aqui, entende? Eu te amo mas não gosto mais de você. A verdade é essa. É uma sedução barata, nefasta... a de sempre. Dessa vez não meu bem, essa vez não. Não estou desistindo, mas preciso cuidar de mim. Eu que cuidei tanto de você, negligenciei o bem maior e mais precioso... meu amor próprio. Saiba que eu ainda aguardo uma resposta sua [como disse, eu não desisti] mas a cada dia que passa, um passo é dado na direção oposta à nós e chegará ao tempo de nos tornamos desconhecidas em meio a multidão. Adultas, com buracos maiores do que de um rifle e seu franco atirador em plena luz do dia. Já chorei muito sim, sabe disso por que te disse. Mas as lágrimas estão secando, o reservatório está acabando. E esse sentimento tão bonito está prestes a criar asas e voar pra um lugar desconhecido até de mim mesma. Se antes era tristeza profundo que me dominava só de pensar nessa possibilidade, agora começa a não fazer diferença.... em breve será o bálsamo que irá me curar de tantas feridas abertas nesse caminho desde 2011. Desde aquele bendito campeonato.  

13 novembro, 2013

Ah não.


Que canseira. Quanto mais durmo, brota ainda mais sono. Aí você acorda e quase bate em todas as quinas das paredes da sua casa por que não consegue abrir os olhos direito. Quase zumbizando pela empresa.
Estamos chegando perto do natal... você começa a se dar conta disso quando aparece nas lojas todos e quaisquer tipos de enfeites para essa data. Putz, já vai ser natal? "quédizê" tchau 2013? vish.

09 novembro, 2013

Fu.


É muito sonhar alto? Será que é feio? será que as pessoas se contentam com tão poucos? Ou a gente se acostuma com as migalhas que encontramos no momento de dor e depois, acostumados a olhar sempre pro chao e de tão encurvados, não enxergamos a oportunidade ou não temos mais coragem de falar: EI, EU MEREÇO SIM!
É pecado? por que se for, acho que vou pro inferno então.

05 novembro, 2013

Insone.

Parabéns pra você que se detona no treino e depois não consegue nem digitar direito no teclado do notebook. Queria ter um gongo instalado na parede ao lado do meu quarto pra acordar meus vizinhos que vão dormir com a criançada depois da 1 da manhã. Deu pra perceber que estou irritada né?

04 novembro, 2013

CIP: 02224


Vai pra lá e pra cá, Pisca os olhos, fecha-e-abre-sem-parar. Horas passam escorrendo vagarosamente e a vontade que se tem é de ficar surda, quem sabe assim o tic tac pára de soar aos ouvidos. Apagou, agora sim. Tudo é silêncio e paz... até seu despertador tocar as 6:00 da manhã, sinalizando que outro dia chegou, é hora de trabalhar. Vai para o escritório e espera dar a hora de ir aos correios por que recebeu um aviso de entrega, você que já não tem mais unhas para roer sai em disparada. Recebe o envelope e por instinto olha o verso. 

Chegou o meu registro de psicóloga, enfim. Mas sinceramente, não era isso que eu aguardava.
Frase do dia? Nem tudo é perfeito. O jeito é gastar a mais nova carteira de identidade profissional!

29 outubro, 2013

Inscrito no meu mundo.



Engraçada, essa vida é assim. Ai, sou muito idiota, volúvel, "multipolar" e isso me dá ainda mais vontade de rir. É como se eu estivesse num local com vários tanques, piscinas, mergulho fundo em todas. Só que esses recipientes são os sentimentos, emoções, sensações. Me encharco delas, lambuzo, fico impregnada e as vezes me intoxico. As vezes intoxico os outros. Tento olhar de fora da minha cabeça para minha própria carcaça e enxergar todas as fraquezas e imperfeições que existem. Olha, são MUITAS. Se antes eram motivos para deixar na escuridão, agora os holofotes escancaram cada ferida. Sei não, talvez uma das lições mais tensas que ainda estou aprendendo é saber rir de mim mesma, principalmente quando os outros apontam meus defeitos. Rir sem dor entende? sem raiva, sem vergonha [embora eu ainda sinta, principalmente para as pessoas que amo]. Hoje posso estar bem, amanhã quero jogar um latão de ácido sulfúrico na bendita, só pra compartilhar a dor e um segundo depois estarei lá, cuidando do que restou daquele ser. O que eu quero dizer? que vou mudando numa velocidade que é difícil de acompanhar pra mim mesma, que dirá quem ousa ficar ao meu lado. TPM não chega nem perto. Gosto de falar que é uma nebulosa. Percebi que meus relacionamentos são bem mais significativos quando estão nessa montanha-russa, enlouquecendo-nos. Lá em cima eu quero sair do carrinho, as vezes vomitar, grito o trajeto inteiro... quando o brinquedo "pára" e a gente desce, euforicamente quero aquilo mais uma vez. Vou de olhos fechados e sorriso dando voltas na cara. Não dá pra me entender dentro da normalidade, tenho meu próprio funcionamento. Posso gostar por anos, mas tenho o "dom" de viver com tanta intensidade uma emoção que me destrói e pode escangalhar você. Essa sou eu, nessa funcionamento singular. Vou te tratar muitíssimo bem enquanto te arremesso no penhasco pra te ver cair. Sabe por que? Por que foi oque me aconteceu quando te conheci. vou ouvir seus ossos quebrarem contra o rochedo. Quando estiver com os olhos arregalados e não conseguir respirar mais, quando achar que finalmente chegou o fim, o "game over"... olhe para suas mãos e notará que meus dedos estão entrelaçados aos seus. Vai piscar algumas vezes, não entendendo nada daquilo. Quando você abrir novamente esses olhos, vai me ver sorrindo e talvez aí você possa entender o que é estar vivo e que estive no lugar onde deveria estar.
Olhe para o lado e verá.

É assim que acontece comigo.

25 outubro, 2013

Por aí.



Entre papéis contábeis e conversas alheias, algumas questões são plantadas na minha cabeça. Na verdade dúvidas que não estão somente em mim, em outros também. Muitos não entendem o por que de eu ter parado nessa cidade. Quase todos não sabem o peso que é levar isso. Uma voz amiga fez a seguinte questão essa semana; "e você, como está?" e a respondi dizendo: "acho que na hora de colocar as coisas nas caixas pra me mudar, me encaixotei também e ainda não me desembrulhei". Deu pra ouvir a moeda bater lá no fundo e tilintar. Penso nesses (pseudo) oito anos que estão por vir e me pergunto: ficarei guardada numa caixa por tanto tempo? Lutei tanto pra ficar aqui encarcerada numa sala gastando 2 horas trabalhando 6 eu fico olhando para as paredes da sala e as outras 16 arranjando algo pra explicar os motivos de estar aqui? Nunca fui muito normal pra um comportamento padrão, tão pouco o estilo tradicional me atrai. O conformismo me deixa de cabelos em pé e diariamente olho no espelhinho do microondas lá de casa o ponto de interrogação nos meus olhos sobre tudo o que está acontecendo. Me pergunto se estou fazendo isso certo, aliás, se esse certo é de fato o correto por que não é o que sinto, nem o que minhas tripas insistem gritar, muito menos meu coração concorda. É como se eu tivesse aceitado ser domesticada em uma jaula minuscula. Por quanto tempo vou aguentar isso? Esperarei 8 anos, onde teoricamente meus avós vão partir dessa pra melhor e só depois eu vou "recomeçar" a viver novamente ao sabor do vento? Vou simplesmente jogar num buraco 8 anos da minha preciosa vida? Já não senti bastante na pele ver minha mãe protelar as coisas que ela mais quis na vida e acabar morrendo sem ter realizado metade delas? Então que liberdade "posso" ter? Sinto dentro de mim uma coisa tão urgente em viver e de repente entrei em estado de latência. Pra quê? Meus pés querem tocar o globo em sua totalidade antes de sossegarem em algum canto dele. Preciso ver muita coisa ainda antes que estes olhos deixem de perceber a luz.
Alguém me disse essa semana assim: "mas essa cidade é pequena pra você" e deram outro alerta ontem:  essa história de "nunca é tarde" é balela. Me falou da diferença de aprendizagem dos 20 para 30 e poucos anos. Revelaram também que com o passar dos anos, vamos perdendo a coragem... seja para mudar radicalmente, seja para ir na esquina de casa. Nesse momento uma música vem de encontro onde a letra ressoa: "apenas os jovens podem se libertar, se libertar. Perdidos quando vento sopra, por conta própria."
Então onde foi parar meu desejo de ir pro Canadá, graduar em fotografia e me tornar cidadã daquele país logo após a minha formação? Onde "eu" fui parar?

22 outubro, 2013

"ST"rani amori.

"Você podia ter feito diferente, sabia? Mas não. Nada de novas escolhas, nada de "virada no jogo", nada de "dessa vez", nada de nada. A mesmice de sempre. A estupidez de sempre. A mesmice, o desperdício, a falta de consideração. O egoísmo velho de todo santo dia, insensibilidade monstruosa, indiferença indisfarçada: cretinice pura. Havia tantas possibilidades e sequer imaginou-as. Houve tanto tempo, tanto terreno fértil para que? para uma semente estéril. É alguém que não sabe cuidar de flores, não dá de beber, deixa morrer desidratado e sem alimento. Inanição pura."