Há alguém que neste momento passeia pelos corredores de um shopping, não para se divertir mas sim para abstrair.. modo desconsolado.
Essa situação toda me faz voltar a 2007, eu tinha apenas 17 anos... os anos passam, a maturidade vai chegando... mas não. Não quero casar, nem compartilhar um lar.
Não quero isso. É complicado ter que quebrar alguns sonhos, não se tem uma maneira "mais" sutil para um ato que trará dor, apenas acontece, vem.
Muitas coisas mudaram... principalmente a cabeça, ampliou horizontes, adquiriu experiências interessantíssimas, viu a tal responsabilidade beirando à esquina enquanto a consciência batia à sua porta. Deixou de ser garota-porra-louca para transformar-se em: mulher.
E fico tão contente por poder ver isso, ter a oportunidade de perceber a evolução de uma pessoa é fascinante. É uma pena que não seja da maneira como você deseja ser.. por que seria muito mais fácil para nós: você na sua cidade, eu mudaria de estado, viveríamos numa cidade com uma casa à beira mar enfim... todas aqueles detalhes. Mas não dá. não por você. é por mim mesma que não dá.
E enxergo isso tão nítido, quanto água límpida que brota do chão, cristalina. Sei que daria o mundo para e por mim, não importando os meios e nem as consequências para isso... e é justamente por esse motivo que não posso aceitar, tão pouco enganá-la.
27 outubro, 2010
22 outubro, 2010
Paralelos que se cruzam..
Preciso escrever.
dizer como foi esse dia, as 24 horas dessa data.
dizer que não esperava algumas atitudes vindas de mim mesma e muito menos de outras pessoas.
de chegar num auditório para ensaiar, abrir a porta e pessoas estranhas ficaram felizes em minha presença e me abracarem.
de sentar, conversar e tentar apaziguar uma situação aonde eu não precisaria disso e infelizmente, não dar certo.
de pegar e ler uma mensagem que chegou de longe e que me deixou realmente surpresa e até com um pequeno sorriso aqui dentro, daqueles de tranquilidade logo após que se passa o susto inicial.
de esperar um recado e ele chegar mas sentir ao mesmo tempo que é vazio ou no mínimo, confuso e me perceber triste e sem saco pra esse tipo de joguete...
de me deparar com tanta gente e no meio desse mar, ver que há algumas delas que realmente irão aparecer do nada... é uma sensação "estranha".
de me sentir bem, feliz, ao ver ao meu redor "só quem me interessa" de certa forma...
de receber declarações de alguém que está muito distante nesse momento de mim, e ver que mesmo passando-se anos, ainda reside algo meu ali.
um jardim florido, que acaba de ser aparado e limpo.
como é bom perceber que existem vocês em minha vida, ao passo que dói compreender o quanto já errei com essas mesmas pessoas. hoje já nem sei mais se quero colocar uma "redoma de vidro" para protege-los, quero que possam experimentar o sabor do vento que sopra.
um novo sopro.
"aconteça o que acontecer no amanhã, eu estarei de olhos e braços bem abertos"
Seja bem vindo, 21 anos.
dizer como foi esse dia, as 24 horas dessa data.
dizer que não esperava algumas atitudes vindas de mim mesma e muito menos de outras pessoas.
de chegar num auditório para ensaiar, abrir a porta e pessoas estranhas ficaram felizes em minha presença e me abracarem.
de sentar, conversar e tentar apaziguar uma situação aonde eu não precisaria disso e infelizmente, não dar certo.
de pegar e ler uma mensagem que chegou de longe e que me deixou realmente surpresa e até com um pequeno sorriso aqui dentro, daqueles de tranquilidade logo após que se passa o susto inicial.
de esperar um recado e ele chegar mas sentir ao mesmo tempo que é vazio ou no mínimo, confuso e me perceber triste e sem saco pra esse tipo de joguete...
de me deparar com tanta gente e no meio desse mar, ver que há algumas delas que realmente irão aparecer do nada... é uma sensação "estranha".
de me sentir bem, feliz, ao ver ao meu redor "só quem me interessa" de certa forma...
de receber declarações de alguém que está muito distante nesse momento de mim, e ver que mesmo passando-se anos, ainda reside algo meu ali.
um jardim florido, que acaba de ser aparado e limpo.
como é bom perceber que existem vocês em minha vida, ao passo que dói compreender o quanto já errei com essas mesmas pessoas. hoje já nem sei mais se quero colocar uma "redoma de vidro" para protege-los, quero que possam experimentar o sabor do vento que sopra.
um novo sopro.
"aconteça o que acontecer no amanhã, eu estarei de olhos e braços bem abertos"
Seja bem vindo, 21 anos.
21 outubro, 2010
21/10/10 = 21
Não que eu goste muito dessa data.. mas hoje não. Hoje é diferente.
Um paralelo cósmico está ocorrendo neste dia em minha existência,
uma data única que NUNCA mais irá se repetir.
Na data de 21 de outubro, mês 10, foi dado o primeiro sopro de vida.
E agora nada menos que nesse dia, completam-se 21 ciclos.
Estarei "só". Sem a companhia de mãe, irmão ou pai por isso um motivo a mais para ser diferente.
Enfim... "Blackjack"
Um paralelo cósmico está ocorrendo neste dia em minha existência,
uma data única que NUNCA mais irá se repetir.
Na data de 21 de outubro, mês 10, foi dado o primeiro sopro de vida.
E agora nada menos que nesse dia, completam-se 21 ciclos.
Estarei "só". Sem a companhia de mãe, irmão ou pai por isso um motivo a mais para ser diferente.
Enfim... "Blackjack"
18 outubro, 2010
Shit.
Realmente deveria me sentir cansada?
Realmente ficaria imóvel por meses?
Realmente saberia..?
Eu.
não.
freezer.
It's like love, some people get it
for some it's just a glove that just never fitted
for me it's just a pain in the ass
and you fell so tired but you can't sleep
stuck in reverse.
Realmente ficaria imóvel por meses?
Realmente saberia..?
Eu.
não.
freezer.
It's like love, some people get it
for some it's just a glove that just never fitted
for me it's just a pain in the ass
and you fell so tired but you can't sleep
stuck in reverse.
16 outubro, 2010
Wake up, darling.
Era 05:18 da manhã quando parei de insistir em dormir.
noite muito mal dormida, um calor, uma zonzeira... sentei na area pra ficar olhando o nada, escutando uma música. Na verdade estava tentando acordar de uma ressaca, não é causada pela bebida em excesso, é de um outro tipo que não entendo muito bem. Estou tentando acordar dessa porcaria sem ficar enfurecida mas não tem sido fácil.
Algumas perguntas rondam meus ouvidos, sem respostas. E é tanta gente falando tanta coisa, tudo ao mesmo tempo... preciso achar a minha própria voz nesse tumulto!
É calar-se no exterior para poder conversar aqui por dentro, faz um tempinho que não pratico...
Quero enxergar algumas coisas, mas preciso abrir os olhos primeiro.
Algumas perguntas rondam meus ouvidos, sem respostas. E é tanta gente falando tanta coisa, tudo ao mesmo tempo... preciso achar a minha própria voz nesse tumulto!
É calar-se no exterior para poder conversar aqui por dentro, faz um tempinho que não pratico...
Quero enxergar algumas coisas, mas preciso abrir os olhos primeiro.
15 outubro, 2010
Quando tenho medo de algo..
"Eu posso viver uma vida segura me escondendo do mundo assustador ou, posso enfrentar as coisas que mais me assustam. Por mais que me machuquem, por mais que saiba que posso morrer, mas sei que devo faze-las.
Você quer tentar?"
08 outubro, 2010
Cabide.
"Se eu fingir e sair
Por aí na noitada
Me acabando de rir
Se eu disser que não ligo
E não digo e que fico
Só vou aprontar...
Por aí na noitada
Me acabando de rir
Se eu disser que não ligo
E não digo e que fico
Só vou aprontar...
É que eu sambo direitinho
Assim bem miudinho
Cê não sabe acompanhar"
Assim bem miudinho
Cê não sabe acompanhar"
04 outubro, 2010
Rsrs..
Segundona bááááásica, um solzão, vento fresco.. dia lindo!
cada vez mais vou gostando da minha faculdade, da nova sala, os ensaios do teatro rolando..
é bom sentir esse gostinho de alegria, criança se lambuzando com algodão doce, riso solto.
Por hora, deixando as coisas acontecerem, se encaixarem e tá tudo certo.
"Tudo dando certo mas eu tô esperto, não posso botar tudo a perder..."
cada vez mais vou gostando da minha faculdade, da nova sala, os ensaios do teatro rolando..
é bom sentir esse gostinho de alegria, criança se lambuzando com algodão doce, riso solto.
Por hora, deixando as coisas acontecerem, se encaixarem e tá tudo certo.
"Tudo dando certo mas eu tô esperto, não posso botar tudo a perder..."
30 setembro, 2010
Arder.
deixando as coisas rolarem, a marvada queimar, a careta perdurar por alguns segundos.
alguém disse: "tudo que arde, sara."
então, deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeixa arder! :D
alguém disse: "tudo que arde, sara."
então, deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeixa arder! :D
27 setembro, 2010
Precision.
Sei lá.
As coisas existem e a gente se pergunta: "mas é isso?" ou "só isso?" ou"será assado?"
e vem milhões de perguntas na cabeça..
Vai repetindo mentalmente "mantendo uma distância confortável" pra ver se pega liga.
Mas é foda viu. É extremamente foda quando o que você quer é se jogar do desfiladeiro sem pensar... é como no parkour, quando estamos prestes a fazer o salto e não se pode errar. Em algum momento você desliga e simplesmente vai. É quando se esgota todas as dúvidas, as que restaram, somem... algo como senso aguçado das coisas. Uma brisa passageira.
É tenso sim, pra quem pensa demais [ou como a psicanálise define de: neurose obsessiva], dúvida é o instrumento de tortura mais elaborado que pode fazer uma pessoa padecer em segundos e por anos a fio.
Está chegando a hora do salto, já se esgotaram as dúvidas?
As coisas existem e a gente se pergunta: "mas é isso?" ou "só isso?" ou"será assado?"
e vem milhões de perguntas na cabeça..
Vai repetindo mentalmente "mantendo uma distância confortável" pra ver se pega liga.
Mas é foda viu. É extremamente foda quando o que você quer é se jogar do desfiladeiro sem pensar... é como no parkour, quando estamos prestes a fazer o salto e não se pode errar. Em algum momento você desliga e simplesmente vai. É quando se esgota todas as dúvidas, as que restaram, somem... algo como senso aguçado das coisas. Uma brisa passageira.
É tenso sim, pra quem pensa demais [ou como a psicanálise define de: neurose obsessiva], dúvida é o instrumento de tortura mais elaborado que pode fazer uma pessoa padecer em segundos e por anos a fio.
Está chegando a hora do salto, já se esgotaram as dúvidas?
23 setembro, 2010
T = f
Respire: 1, 2, 3... 38, 39, 40. Volta.
aumenta carga, 115 Kg. Respire.
1, 2, 3, 4 vezes.
Reforça.
intensidade: 10.2, 15 minutos. 14.0, 1 minuto. 4.0, 2 minutos, 14.0 30 segundos.
- Rotina.
acaba com qualquer preocupação ;)
aumenta carga, 115 Kg. Respire.
1, 2, 3, 4 vezes.
Reforça.
intensidade: 10.2, 15 minutos. 14.0, 1 minuto. 4.0, 2 minutos, 14.0 30 segundos.
- Rotina.
acaba com qualquer preocupação ;)
18 setembro, 2010
... Like a drug.
Bebendo, se perdendo, sendo guiada pelas batidas do som, no groove.
vai esquecendo o que há dentro e permitindo-se que mãos alheias, lascivas, vagueiam pelo seu corpo. Liberta-se de algo que lhe incomoda, devora, e torna-se refeição para muitos mesmo seu desejo sendo ser de um só.
Não pensa, nem se permite a tal tortura, só sente a tontura, a loucura, a euforia. Conduz a luxúria dos outros mas esquece da própria, aliás, esquece de si mesma.
joga-se na pista quase que da mesma forma numa montanha russa em alta velocidade e procura por isso, essa tal "insanidade" pois perigo é o que lhe atrai, suicida em potencial.
vai esquecendo o que há dentro e permitindo-se que mãos alheias, lascivas, vagueiam pelo seu corpo. Liberta-se de algo que lhe incomoda, devora, e torna-se refeição para muitos mesmo seu desejo sendo ser de um só.
Não pensa, nem se permite a tal tortura, só sente a tontura, a loucura, a euforia. Conduz a luxúria dos outros mas esquece da própria, aliás, esquece de si mesma.
joga-se na pista quase que da mesma forma numa montanha russa em alta velocidade e procura por isso, essa tal "insanidade" pois perigo é o que lhe atrai, suicida em potencial.
15 setembro, 2010
Ai.
pouca paciência tem me restado nessa semana, vou deslocar a culpa para a tpm.
penso que a faculdade vai tão leve, que dá a impressão que nem estou nela... vai entender.
os dias vão passando e só ontem me deu uma calma, aquela coisa gostosa. Um respirar mais aliviado, entende?
dizer a si mesma: ei, pra que se atropelar ?
Zélia sabe me fazer sorrir, certeza.
pouca paciência tem me restado nessa semana, vou deslocar a culpa para a tpm.
penso que a faculdade vai tão leve, que dá a impressão que nem estou nela... vai entender.
os dias vão passando e só ontem me deu uma calma, aquela coisa gostosa. Um respirar mais aliviado, entende?
dizer a si mesma: ei, pra que se atropelar ?
Zélia sabe me fazer sorrir, certeza.
13 setembro, 2010
Gosto assim.
Quando acordo cedo e sei que nada vai importar porque tudo está bem e vai ficar ainda melhor.
ter ao lado pessoas caras, daquelas que você garimpa numa montanha gigantesca ao longo da vida e encontra tais preciosidades. Tem que guardar...
Quero guardar vocês sempre, nem que seja na minha pouquíssima memória que quase sempre falha. Quero poder chegar aos sei lá quantos anos que talvez minha velhice possa me reservar e poder lembrar de todas essas preciosidades, das coisas que foram vividas e rir, do jeito mais infantil que as rugas possam permitir. Deixar que a emoção escorra pelo rosto em algumas lágrimas e sentir seu gosto, que no fundo se confunde com a saudade.
Desde já, obrigada.
07 setembro, 2010
M.a.t.o.
feriado no isolamento, achei que morreria de tédio mas não foi bem como imaginei.
não deu muito tempo pra pensar na cidade, nas coisas que tem lá, nas problemas...
mas voltando, vem chegando, as vontades, ansiedade batendo a porta e quando finalmente chega: nada.
que droga hein.
Mas não dá nada não, eu bem que me conheço.
não deu muito tempo pra pensar na cidade, nas coisas que tem lá, nas problemas...
mas voltando, vem chegando, as vontades, ansiedade batendo a porta e quando finalmente chega: nada.
que droga hein.
Mas não dá nada não, eu bem que me conheço.
28 agosto, 2010
27 agosto, 2010
Claríssimos.
E de repente me esbarro com uma "parede" branca. Que é isso ?
Não é parede, aliás, tá longe de ser.
É algo mais como cama box feita de viscoelástico sabe? Resumindo a sua procura no "gúgou", é daquele material que se molda ao corpo, o tal da tecnologia da NASA.
Como ia dizendo: não é parede. Até por que onde já se viu parede ter olhos e claros?
Nunca vi.
Quando a gente tem sono ou parte pra longe, o que mais se quer é sua própria cama. Vê? Não fujo à regra.
Suficiente para me fazer desejar dormir [ou não] mesmo dentro dum ônibus puído, calorento. Na medida para me fazer trocar o almoço por uma garrafa litrão de skol geladíssima em plena segunda feira com o sol refogando meus poucos neurônios e mesmo assim, não ter um traço sequer de mal humor. Consistente para ainda ficar com esse humor em plena sexta à noite, mesmo morta de cansaço e dolorida da academia.
Cama box? Não.
Estou afetada ? certamente, e não foi por conta daquele sol que aponta no céu.
Não é parede, aliás, tá longe de ser.
É algo mais como cama box feita de viscoelástico sabe? Resumindo a sua procura no "gúgou", é daquele material que se molda ao corpo, o tal da tecnologia da NASA.
Como ia dizendo: não é parede. Até por que onde já se viu parede ter olhos e claros?
Nunca vi.
Quando a gente tem sono ou parte pra longe, o que mais se quer é sua própria cama. Vê? Não fujo à regra.
Suficiente para me fazer desejar dormir [ou não] mesmo dentro dum ônibus puído, calorento. Na medida para me fazer trocar o almoço por uma garrafa litrão de skol geladíssima em plena segunda feira com o sol refogando meus poucos neurônios e mesmo assim, não ter um traço sequer de mal humor. Consistente para ainda ficar com esse humor em plena sexta à noite, mesmo morta de cansaço e dolorida da academia.
Cama box? Não.
Estou afetada ? certamente, e não foi por conta daquele sol que aponta no céu.
25 agosto, 2010
24 agosto, 2010
Na íntegra:
"É"
Senta-se na cadeira, estica as pernas e apóia um dos braços na mesa. Com o outro segura o copo americano, onde um líquido amarelo citrino rodopia com o balanço da mão.
Meu estômago começou a repetir o mesmo movimento daquele recipiente no instante que a vi.
A cada passo que meus pés galgavam, senti o frio subir pelos dedos, fez a curva no calcanhar, serpentiou pelas pernas, deu uma guinada na espinha e atravessou meu coração. A mesma temperatura da bebida foi penetrando com facilidade pela pele, quanto mais me aproximava daquela mesa, mais congelada a minha pequenina e frágil presença.
Um leve tremular transformou-se em terremoto, chacoalhando toda a certeza que eu tivera. A pele arrepiava-se cada vez mais, o queixo travou forças para não tremer, mas os dedos tornaram-se pegajosos e esfreguei as mãos pálidas na calça para enxugar.
Se eu pudesse, me enfiava num grosso casaco de lã para acabar com esse frio mas era uma hora da tarde.
O sol parecia pouco se importar em queimar qualquer coisa que saísse da sombra, assim como ela não se importara nenhum momento com um corpo esquelético, chacoalhante, cambaleando ao passar: comigo.
Eu era o copo; sem graça, gelado e suando frio por conta do líquido amarelo , que rodopiava e girava na mão daquela pessoa. A cada gole um pouco mais da minha vida ia se esvaindo do meu interior e descendo goela abaixo de outrém.
Me estilhaçava como um vidro que trincou com o choque de uma pedra arremessada a cada passo que meu corpo franzino dava, uma marcha fúnebre de uma pessoa só onde o próprio velado fazia seu funeral.
"É"
Senta-se na cadeira, estica as pernas e apóia um dos braços na mesa. Com o outro segura o copo americano, onde um líquido amarelo citrino rodopia com o balanço da mão.
Meu estômago começou a repetir o mesmo movimento daquele recipiente no instante que a vi.
A cada passo que meus pés galgavam, senti o frio subir pelos dedos, fez a curva no calcanhar, serpentiou pelas pernas, deu uma guinada na espinha e atravessou meu coração. A mesma temperatura da bebida foi penetrando com facilidade pela pele, quanto mais me aproximava daquela mesa, mais congelada a minha pequenina e frágil presença.
Um leve tremular transformou-se em terremoto, chacoalhando toda a certeza que eu tivera. A pele arrepiava-se cada vez mais, o queixo travou forças para não tremer, mas os dedos tornaram-se pegajosos e esfreguei as mãos pálidas na calça para enxugar.
Se eu pudesse, me enfiava num grosso casaco de lã para acabar com esse frio mas era uma hora da tarde.
O sol parecia pouco se importar em queimar qualquer coisa que saísse da sombra, assim como ela não se importara nenhum momento com um corpo esquelético, chacoalhante, cambaleando ao passar: comigo.
Eu era o copo; sem graça, gelado e suando frio por conta do líquido amarelo , que rodopiava e girava na mão daquela pessoa. A cada gole um pouco mais da minha vida ia se esvaindo do meu interior e descendo goela abaixo de outrém.
Me estilhaçava como um vidro que trincou com o choque de uma pedra arremessada a cada passo que meu corpo franzino dava, uma marcha fúnebre de uma pessoa só onde o próprio velado fazia seu funeral.
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